História do Botafogo

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PRIMEIRA DÉCADA

O primeiro jogo do Botafogo Football Club foi no dia 2 de outubro de 1904, um amistoso contra o Football and Athletic Club, no campo do último, que ficava na Rua Haddock Lobo, na Tijuca. O Botafogo perdeu por 3 a 0 com este time: Flávio Ramos, Victor Faria e João Leal; Basílio Vianna, Octávio Werneck e Adhemaro De Lamare; Norman Hime, Ithamar Tavares, Álvaro Soares, Ricardo Rêgo e Carlos Bittencourt.

A primeira vitória só viria no dia 21 de maio de 1905, num amistoso contra o Petropolitano, no campo da rua Voluntários da Pátria: Botafogo 1 a 0, gol de Flávio Ramos. A segunda viria sobre o Colégio Militar. Em seguida, veio a revanche sobre o Athletic: 2 a 1, no dia 4 de junho.

Em 1906, finalmente, ocorreu a disputa do primeiro Campeonato Carioca de Futebol, organizado pela Liga Metropolitana, fundada em 21 de maio de 1905 pelos seguintes clubes: América, Athletic, Bangu, Botafogo, Fluminense e Petropolitano. O campeonato era para os primeiros e os segundos quadros, de aspirantes, que faziam as preliminares dos jogos. O Botafogo tornou-se o primeiro clube carioca a conquistar um título. O Glorioso foi campeão dos segundos quadros, competição disputada antes do torneio de primeiros quadros, vencido pelo Fluminense. Mas a conquista dos primeiros quadros não demorou, vindo em 1907 e de forma polêmica: o título foi dividido com o Fluminense, o maior rival da época. O clássico entre os dois times, anos depois, ganhou da imprensa o título de Clássico Vovô, o mais antigo do futebol brasileiro.

Mas o título mais importante da primeira década foi o de 1910, quando o Botafogo ficou conhecido como o Glorioso, adjetivo que viria a consagrá-lo e que foi recebido após a goleada de 6 a 1 sobre o Fluminense. Depois de ganhar o terceiro título em 1912 pela nova liga que fundou, AMEA (por ter brigado com o América em 1911 e abandonado a Liga Carioca), o Botafogo entrou em um longo período sem ganhar títulos estaduais (18 anos). Em compensação, ganhou torneios e jogos amistosos contra equipes de outros Estados e de outros países, principalmente da Europa, inclusive Seleções. E aumentou seu patrimônio, saindo do Largo dos Leões, no Humaitá, para a Rua General Severiano, onde construiu sua sede e seu estádio de futebol. O campo teve seu primeiro jogo um Botafogo 1 x 0 Flamengo, em 1913. A sede monumental, o Palacete da Avenida Venceslau Brás (atualmente tombado e que preserva sua construção original), foi inaugurada com um grande baile em 1928. O estádio propriamente dito, com capacidade para 25 mil pessoas, foi inaugurado dez anos mais tarde, em 28 de agosto de 1938, quando o Botafogo venceu o Fluminense por 3 a 2. Antes, em 1 de outubro de 1930, a iluminação do campinho de General Severiano, cuja capacidade era para 8 mil pessoas, foi comemorada com o jogo entre o Botafogo e o Atlético Mineiro, vencido pelo alvinegro carioca por 6 a 3. O longo jejum de títulos só foi interrompido com a conquista do Campeonato Carioca de 1930.

DÉCADA GLORIOSA - ANOS 1930 E 1940

Ao contrário dos anos 20 do século passado, as décadas de 30 e 40 foram de muitas conquistas para o Glorioso. Veio o tetracampeonato, único entre os clubes do Rio de Janeiro: 1932, 1933, 1934 e 1935. O Botafogo tornou-se a base da Seleção Brasileira, nas Copas de 1930, 1934 e 1938, revelando para o mundo craques e mais craques. O clube contratava os que surgiam em outros clubes do Rio, do restante do país e do futebol argentino e uruguaio. Entre esses talentos, destaca-se o famoso Leônidas da Silva, o Diamante Negro, que inventou o gol de bicicleta, em um jogo da Seleção contra a Itália, na Copa de 1938. General Severiano virou um celeiro de cobras, como Martim Silveira, Canalli, Paulinho Tovar, Carvalho Leite, Nilo Murtinho Braga, Patesko, Pirica, Átila e Heleno de Freitas.

Em 1936, o Botafogo, cuja fama já atravessara o continente, fez sua primeira excursão internacional: foram nove jogos no México e nos Estados Unidos, com seis vitórias, duas derrotas e um empate. Em 28 de agosto de 1938, o Botafogo inaugurou, em verdadeira festa de toda a cidade, “o estádio mais bonito do Brasil”, em General Severiano. Embora tenha conquistado apenas um título carioca nos anos 1940, o de 1948, 13 anos após o tetra de 1935, essa década foi muito rica para a história do Glorioso. Além de acumular vitórias internacionais, o clube montou grandes times, recheados de craques e ídolos, como Heleno de Freitas, Nílton Santos, Geninho, Gerson Santos, Ávila, Juvenal, Oscar Basso, Paraguaio, Pirilo, Oswaldo Baliza, Rubinho e Octávio.

A incrível mascote do Campeonato Carioca de 1948 foi o cachorro Biriba, um vira-lata branco com uma mancha preta, que entrava em campo com o time nos jogos e que se tornou uma lenda mundial. A fama da mascote chegou ao ponto de o Botafogo ter suas cotas em dólares, nas excursões ao exterior, aumentadas graças a uma cláusula que exigia a presença de Biriba. Antes do jogo final do Campeonato Estadual de 1948, contra o Vasco, em General Severiano, Biriba ficou concentrado num hotel, vigiado 24 horas por seu cão de guarda, Macaé. O filé-mignon de Biriba era experimentado por Macaé antes de a mascote comê-lo. Essa medida foi tomada pelo lendário presidente Carlito Rocha, pois os vascaínos ameaçavam envenenar o cachorro para "desfalcar" a equipe na grande decisão. Com Biriba em campo, o Botafogo venceu por 3 a 1 e ficou com o título, depois de uma série de campeonatos perdidos para o mesmo Vasco, que possuía um timaço na época e era conhecido como Expresso da Vitória.

ANOS 50 - SURGEM GARRINCHA E O MARACANÃ

A inauguração do Estádio Mário Filho, o Maracanã, construído para a Copa de 1950, aconteceu em 16 de junho daquele ano, com uma partida entre as seleções carioca e paulista. O primeiro gol no templo do futebol mundial foi marcado por uma das lendas alvinegras, Didi. O jogo terminou com vitória paulista por 3 a 1.

O primeiro jogo do Botafogo no novo estádio ocorreu após a trágica partida da Seleção na final da Copa, perdida para o Uruguai por 2 a 1, em 16 de julho. Foi um clássico contra o América pelo Campeonato Carioca. Resultado: derrota de 4 a 2, que foi devolvida no returno (2 a 1) e que levou o rival a perder para o Vasco o título praticamente conquistado.

Antes de ganhar seu primeiro título no Maior do Mundo, em 1957, o Botafogo revelou, num jogo contra o Bonsucesso em 19 de julho de 1953, em General Severiano, o maior fenômeno da história do futebol: Manoel Francisco dos Santos, o genial Mané Garrincha.

O Maracanã veio a conhecê-lo no clássico com o Flamengo, no dia 7 de setembro. Na vitória botafoguense por 3 a 0, Garrincha fez seu primeiro gol no estádio e levou o lateral rubro-negro Jordan à loucura com dribles e cruzamentos incríveis. A consagração definitiva de Mané veio no dia 22 de dezembro de 1957, quando ele desmontou, na final, a defesa do Fluminense na goleada de 6 a 2. Foi autor de um dos gols e contribuiu para os cinco marcados por Paulinho Valentim, outra lenda botafoguense do primeiro título alvinegro no Maracanã. O supertime era dirigido por outro mito, João Saldanha, e tinha ainda outras feras: Nílton Santos, Didi, Pampolini, Quarentinha, Servílio, Beto, Tomé, Edson e Adalberto.

DÉCADA DE 1960 - A MAIOR DA HISTÓRIA

Com a conquista do primeiro título mundial da Seleção Brasileira, em 1958, na Suécia, sendo que o time do técnico Vicente Feola tinha, além de Zagallo, três gênios alvinegros, Nílton Santos, Didi e Garrincha, os anos 60 viriam a se transformar na década de ouro do Glorioso.

O Botafogo de Mané foi bicampeão carioca de 1961/62, campeão do Rio-São Paulo de 1962 e 1964 e ganhou inúmeros torneios internacionais. Juntamente com o Santos, abriu de vez as portas do mercado europeu para os jogadores brasileiros. Esses clubes tornaram-se a base da Seleção Brasileira, na época chamada de "A pátria de chuteiras", expressão criada por Nelson Rodrigues.

Mas a "Universidade do Futebol" de General Severiano não parou por aí. Ao fim da geração de Garrincha, revelou outra para a história do Glorioso e do futebol mundial: a de Jairzinho, Paulo César Caju, Roberto, Rogério, Nei Conceição, Carlos Roberto, Ferreti, Afonsinho, Cao, Moreira, Valtencir, Othon Valentim, entre outros, formada em torno de três feras, Manga, Gérson e Sebastião Leônidas, tendo Zagallo como técnico. O Botafogo ganhou outro bicampeonato carioca em 1967/68, foi bi da Taça Guanabara também em 1967 e 1968 e conquistou a Taça Brasil de 1968, que foi reconhecido pela CBF, em 2010, como o primeiro Campeonato Brasileiro de Futebol conquistado pelo Glorioso. Além disso, foi tricampeão mundial em Caracas. Voltou a ser a base da Seleção Brasileira que viria a conquistar o tricampeonato mundial na Copa do México, em 1970. Os dois treinadores da gloriosa campanha também eram da casa: João Saldanha nas Eliminatórias e Zagallo no México.

DÉCADAS DE 70 E 80 - O LONGO JEJUM

Depois dos anos dourados, veio a época de chumbo do Botafogo. Ela começou com a perda incrível do título estadual de 1971 para o Fluminense. No jogo final, o tricolor Lula fez um gol a dois minutos do fim, quando o empate de 0 a 0 bastava ao Glorioso, cujo time de craques era chamado de Selefogo. O gol fatal veio após falta de Marco Antônio sobre o goleiro Ubirajara Mota, mas o árbitro José Marçal Filho, depois de muita discussão, não marcou a infração, confirmando a vitória do Fluminense. Esse gol, até hoje contestado, estigmatizou Marçal para o resto de sua vida, mas também marcou o início do jejum botafoguense de 20 anos, que só viria a ser quebrado em 1989.

Mas o calvário alvinegro não foi apenas dentro de campo. O clube viu sua sede social e seu estádio famoso serem vendidos, em 1976, para a Vale do Rio Doce, como pagamento de dívidas fiscais. O patrimônio só viria a ser retomado em 1994, prenúncio de um grande ano, o de 1995, com a conquista do Campeonato Brasileiro na final contra o Santos.

Nesse período crítico, o futebol do Botafogo foi transferido para Marechal Hermes, subúrbio do Rio, até voltar para seu berço e retomar sua trajetória de glórias. No campo, o título carioca voltou a ser conquistado em 1989, de forma invicta, no dia 21 de junho, no segundo jogo da decisão contra o Flamengo, gol de Maurício. E foi repetido em 1990, com o bi sobre o Vasco.

ANOS 90 - TÍTULOS BRASILEIROS E OUTROS

Os anos 90 foram de mais conquistas para o Fogão. Começou com a Conmebol em 1993, numa final eletrizante contra o Peñarol, no Maracanã, decidida na cobrança de pênaltis após dramático empate de 2 a 2 no tempo normal. Seguiu-se o Brasileiro de 1995, em outra final dramática, desta vez contra o Santos: 2 a 1 no primeiro jogo no Maracanã, gols de Gottardo e Túlio, e um empate de 1 a 1 no Pacaembu, em São Paulo, gol do artilheiro Túlio Maravilha. Esse título poderia ter vindo antes, em 1992, quando, depois de liderar todo o campeonato, o Botafogo de Renato Gaúcho perdeu a decisão para o Flamengo: 3 a 0 e 2 a 2.

Em 1996, ganhou a Taça Cidade Maravilhosa, invicto com seis vitórias e apenas um empate. No mesmo ano conquistou a Taça Tereza Herrera, derrotando o Deportivo La Coruña e a Juventus, da Itália. Em 1997, após campanha espetacular, o Botafogo voltou a ganhar o Campeonato Carioca, derrotando o Vasco no segundo jogo da decisão por 1 a 0, gol de Dimba, "o gol da Dimbalada". Para chegar ao título, venceu de forma invicta e inédita a Taça Guanabara (12 jogos, 12 vitórias, duas delas sobre o Vasco) e a Taça Rio (oito jogos, cuja final foi contra o Fluminense).

Mas também houve uma grande decepção: diante de 111 mil fanáticos alvinegros, o maior público de uma só torcida no famoso estádio carioca, o Botafogo não passou de um empate de 0 a 0 com o Juventude, na final da Copa do Brasil, perdendo o título para o clube gaúcho.

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